Os riscos da automedicação

157

Embora muitas vezes pareça uma solução rápida para sintomas cotidianos como dor de cabeça, febre ou azia, a automedicação pode trazer riscos à saúde. E essa prática é mais comum do que se imagina: nove a cada 10 brasileiros admitem que tomam medicamentos por conta própria, segundo levantamento de 2024 do Instituto de Ciência, Pesquisa e Qualidade (ICTQ), em parceria com o Conselho Federal de Farmácia (CFF) e Datafolha.

Entre os medicamentos mais utilizados sem prescrição médica estão analgésicos, antitérmicos, antiflamatórios e relaxantes e até mesmo antibióticos, ainda que estes últimos só possam ser adquiridos com a apresentação de receita médica. São remédios que, embora pareçam inofensivos, podem ter consequências graves quando usados de maneira inadequada.

Segundo a farmacêutica e toxicologista Regis Goulart Rosa (Cremers 31.801),
“a automedicação pode parecer inofensiva, mas não é. Além dos riscos de intoxicação, o principal é o uso errado do medicamento, seja pela dose, seja pelo tempo de uso incorreto ou mesmo pela escolha de um remédio que não trata aquele problema.”

O paciente pode correr o risco de mascarar sintomas importantes, o que leva tanto ao atraso no diagnóstico quanto na adoção dos tratamentos adequados.


“A prática da automedicação pode também provocar efeitos colaterais ou reações adversas.”

No caso dos anti-inflamatórios, por exemplo, o uso indiscriminado pode causar insuficiência renal e hemorragia digestiva.

Quando se trata de antibióticos, mesmo que sejam uma classe de drogas cuja venda é controlada por receita médica, o uso indiscriminado não é tão incomum. Para o infectologista Alexandre Zavascki (Cremers 25.476), o problema maior não é nem resistência bacteriana, mas a pessoa acreditar que está tratando um problema de saúde e, na verdade, não causar efeito algum sobre a enfermidade.

“Cada antibiótico específico tem uma indicação muito precisa. Em primeiro lugar, funcionam apenas para infecções bacterianas. Em segundo lugar, a indicação depende também do tipo de infecção. Duas pessoas podem ser infectadas pela mesma bactéria, mas em lugares diferentes, e a elas são indicados tratamentos diferentes.”


Idosos, grupo vulnerável

Com o envelhecimento, é comum que a pessoa fique mais vulnerável aos efeitos colaterais de medicamentos.

“Muitos idosos já usam várias medicações ao mesmo tempo, o que chamamos de polifarmácia. Essa combinação aumenta muito o risco de interações medicamentosas, que é quando um remédio interfere na ação de outro, bem como de reações adversas, que podem ser graves. Por isso, qualquer novo medicamento deve ser cuidadosamente avaliado por um médico”, afirma Rosa.


“Canetas emagrecedoras”

Desde junho de 2025, é obrigatória a retenção de receita médica para a venda de medicamentos como Ozempic, Wegovy, Saxenda e outros de ação similar. Indicadas para o tratamento de diabetes ou obesidade, as drogas têm sido amplamente utilizadas para emagrecimento fácil.

Uma das consequências apontadas por especialistas é o reganho de peso após o uso indevido e sem orientação médica, entre outras complicações.

Fonte: Moinhos Medical Review

Artigo anteriorCiência e tecnologia no futuro dos transplantes de órgãos
Próximo artigoO futuro do Alzheimer: a cura está próxima