O vírus varicela-zóster (VZV) causa duas diferentes doenças: a varicela (catapora), infecção primária pelo microrganismo, e o herpes-zóster (HZ), resultante da reativação viral após períodos variados em que ele permanece latente, ou seja, inativo, nos gânglios sensoriais do corpo.
O herpes-zóster se manifesta tipicamente por um exantema vesicular unilateral, que se caracteriza por pequenas bolhas acompanhadas por vermelhidão na pele e, frequentemente, por uma dor bastante intensa, queimação e sensação de “choques” capazes de persistir por semanas, meses ou anos – situações conhecidas conjuntamente como neuralgia pós-herpética. Essa condição configura uma das complicações mais incapacitantes da doença. Outros eventos graves que podem decorrer do quadro incluem envolvimento oftalmológico, alterações neurológicas e maior risco de acidente vascular cerebral (AVC) e de doença coronariana aguda.
O risco de desenvolvimento de herpes-zóster ao longo da vida ultrapassa 30% e aumenta com a idade, a ponto de metade dos indivíduos com mais de 85 anos apresentar a doença.
Sabe-se que o risco da doença é influenciado por diversos fatores e determinantes genéticos que de alguma forma afetam a integridade da imunidade do indivíduo. Portanto, idosos e pessoas que vivem com alguma condição que acomete o sistema imunológico constituem os principais grupos afetados.
Prevenção eficaz por meio da vacinação
Atualmente, o herpes-zóster e suas complicações podem ser prevenidos através da vacinação, que tem o objetivo de impedir a reativação do vírus. A vacina recombinante contra o HZ (Shingrix®), desenvolvida pela GSK (GlaxoSmithKline), é uma vacina inativada (ou seja, de componente não vivo) e altamente eficaz. De fato, estudos mostraram uma eficácia do produto da ordem de 97,2% e de 91,3% para a prevenção da doença em adultos com idades iguais ou superiores a 50 e 70 anos, respectivamente. Já em relação à neuralgia pós-herpética, tais índices alcançaram números superiores a 88,8%.
Recomendações da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm)
A SBIm orienta a vacinação contra o herpes-zóster como estratégia primária de prevenção. Veja as recomendações:
Para quem é indicada a vacina:
- Adultos imunocompetentes a partir de 50 anos.
- Pessoas em condições de imunossupressão ou com maior risco de desenvolver a doença a partir dos 18 anos.
E quem já teve herpes-zóster?
- A vacina também é recomendada para esses indivíduos, desde que o quadro agudo já tenha sido resolvido.
Como é a vacina?
Tipo: Vacina inativa
Via de administração: Intramuscular.
Esquema de doses:
- Duas doses no total.
- Intervalo de 2 meses entre as doses.
Principais reações adversas
No local de aplicação:
- Dor
- Vermelhidão (eritema)
- Inchaço (edema)
Sistêmicas:
- Fadiga
- Dores musculares (mialgia)
- Dor de cabeça (cefaleia)
Observação: Essas reações são tipicamente autolimitadas, resolvendo-se após um curto período.
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