Um dos tipos de demência mais comuns entre a população mundial, a doença de Alzheimer não teve cura descoberta. A prevenção por meio de fármacos ainda é foco de muitas pesquisas.
No Brasil, apenas um pode ser comercializado, após aprovação recente pela Anvisa.
No entanto, a medicina avança em desenvolver armas para lidar com um problema que atinge cerca de 50 milhões de pessoas no mundo.
Uma delas está em atuar sobre uma série de fatores que podem ser evitados quando a pessoa adota mudanças no estilo de vida.
Relatório publicado na Lancet Neurology em julho de 2024 apontou que aproximadamente metade dos casos de demência pode ser prevenida no controle de 14 fatores de risco.
14 fatores de risco
- Perda de visão
- Colesterol ruim alto (LDL)
- Níveis mais baixos de educação
- Deficiência auditiva
- Pressão alta
- Tabagismo
- Obesidade
- Depressão
- Sedentarismo
- Diabetes
- Consumo excessivo de álcool
- Traumatismo cranioencefálico
- Poluição do ar
- Isolamento social
A lista, que antes continha 12 itens, foi atualizada nesse levantamento, realizado por uma comissão de 27 especialistas do mundo todo em prevenção e cuidados em demência.
Problemas de visão e colesterol ruim alto (LDL) foram incluídos.
A última atualização havia ocorrido em 2020.
Mudar o curso de demências como o Alzheimer tem sido um dos focos do Centro da Memória do Hospital Moinhos de Vento, que completa dois anos de funcionamento em agosto de 2025.
Baseado em três pilares — assistência, pesquisa e ensino —, o espaço investe parte do primeiro atendimento de seus pacientes na investigação dos fatores de risco presentes na rotina e no quadro de saúde da pessoa.
“Quando um paciente chega ao nosso centro, a primeira etapa é a realização de uma triagem cognitiva. Nesse momento, vamos avaliar a presença desses fatores de risco e conseguimos entender o que podemos indicar de conduta clínica”, diz o coordenador de pesquisa do Centro, o neurologista Wyllians Borelli (Cremers 42970).
Como saber que estamos diante de um quadro pré-demencial?
Quando o próprio paciente percebe esquecimentos que podem trazer algum risco.
Exemplos:
- pessoa que anda sempre com a chave do carro, mas esquece como chegar em casa
- pessoa que trabalha com agendas e se atrapalha perdendo datas importantes
Alguns desses sinais podem indicar condições que antecedem a demência.
Antes mesmo do diagnóstico, os novos dois fatores — perda de visão e colesterol alto — já estão sendo avaliados porque se observou que muitos pacientes que apresentam esses problemas também manifestam perdas cognitivas.
O acompanhamento realizado pelo Centro ajuda pacientes e cuidadores a compreenderem o impacto desses fatores e a adotar mudanças.
Mesmo que a memória comece a falhar, muitas intervenções podem trazer benefícios.
Caminhada, exercícios de força, boa alimentação, interação social e tratamento contínuo para doenças como diabetes e hipertensão são fundamentais para preservar a capacidade física e cognitiva.
O desafio do diagnóstico precoce
Hoje, pesquisas se direcionam de forma intensa para descobrir métodos diagnósticos que possam identificar o Alzheimer antes mesmo que ele apresente os primeiros sintomas. Na prática médica já disponível, o que já se vê são exames capazes de identificar o início das primeira alterações no cérebro, e o PET-CT amilóide é a avaliação considerada o padrão-ouro entre os exames, capaz de apontar com bastante precisão o diagnóstico da doença. Trata-se de uma tomografia em que se busca a presença de placas beta-amiloide – proteína do Alzheimer – no cérebro do paciente. Costuma ser indicado para casos em que a demência começa muito cedo ou quando apresenta uma evolução muito rápida – em seis meses o paciente vai de independente a demencial.
Contudo, a indicação mais atual e com eficácia celebrada tem sido nos casos precoces, em quadros de comprometimento cognitivo leve.
É preciso lembrar que, mesmo antes da doença se instalar, os primeiros sinais podem aparecer — e geralmente começam com um esquecimento considerado normal no dia a dia.
E para uma intervenção ideal para o paciente, hoje se sabe que existe a possibilidade de retardar o avanço da doença com mudanças na rotina, uma vez que muitos dos fatores envolvidos podem ser diminuídos por meio de medicamentos que possam retardar o avanço do Alzheimer.
O DESAFIO DAS MEDICAÇÕES
Uma vez que se espera que os casos piorem até 2050, alcançar a reversão do quadro de Alzheimer é um dos maiores desafios do nosso século. Muitas drogas têm sido desenvolvidas na linha de tentar retirar depósitos de beta-amiloide do cérebro, mas várias delas têm efeitos colaterais importantes.
No momento, apenas uma delas, aprovada no Brasil, mostrou evidências nos estudos clínicos de que é capaz de retardar o avanço da doença em estágio inicial.
A eficácia, no entanto, ainda não está totalmente comprovada, e seus benefícios aparecem nos casos muito iniciais, em um grupo curto e muito seletivo.
Enquanto isso, outras medicações estão sendo pesquisadas.
“Um dos grandes diferenciais do Centro da Memória está relacionado hoje à possibilidade de pacientes participarem de estudos de ponta como os que são conduzidos nos Estados Unidos e em países da Europa”, destaca Sheila Martins (Cremers 42970), Chefe do Serviço de Neurologia e Neurocirurgia do Hospital.
Atualmente, o Centro da Memória da Instituição tem três pesquisas envolvendo medicações para Alzheimer.
Fonte: Moinhos Medical Review

