Transplantes salvam milhares de vidas a cada ano, trazendo esperança àqueles que sofrem de alguma falência terminal em rins, fígado, coração, pulmão, entre outros órgãos. Passados cerca de 70 anos do primeiro procedimento realizado para transplantar um órgão vital, muitos avanços aconteceram neste campo da medicina, mas o número de pacientes que aguardam por um ainda é infinitamente maior do que a disponibilidade de doadores. Estudos e tecnologias têm avançado na medicina de transplantes na esperança de mudar esse cenário.
“As medidas que as evidências científicas vão avançando, é provável que uma revolução no campo da preservação de órgãos ocorra nas próximas décadas”, ressalta Tomaz Grezzana, cirurgião de Transplante de Fígado (Cremers 21.576).
Veja algumas dessas pesquisas e avanços:
Máquinas de perfusão
Inovação que se mostra muito útil no campo dos transplantes, pois permite uma preservação dos órgãos por mais tempo, entre a retirada do doador e implante no receptor. No Brasil, as máquinas de preservação renal já são utilizadas. Em dezembro do ano passado, no Reino Unido, ocorreu o primeiro transplante de pulmão utilizando uma máquina que recondicionou os órgãos e manteve-os vivos fora do corpo. Os custos destes dispositivos, no entanto, ainda são elevados, o que se torna o principal limitante para uma aplicação mais ampla.
Xenotransplantes
O uso de órgãos de animais, especialmente porcos geneticamente modificados, em seres humanos, foi adotado em cirurgias experimentais entre 2022 e 2024, com corações e rins de porco. Todos os pacientes morreram entre as primeiras duas semanas e alguns meses depois. No entanto, no último, em 2024, o xenotransplante foi considerado um procedimento bem-sucedido, tendo o paciente morrido cerca de dois meses após, em decorrência de problemas cardiovasculares.
A modificação genética dos órgãos busca sua não rejeição pelo sistema imunológico humano. É uma área ainda incipiente, com muitos desafios a serem superados, mas com potencial para se tornar realidade em algumas décadas.
Bioimpressão 3D
Com o uso de células do próprio paciente, alguns pesquisadores já conseguiram realizar uma bioimpressão 3D de tecidos simples, como pele e cartilagem. A impressão também tem sido uma técnica utilizada para criar órgãos em miniatura, para o planejamento de procedimentos. Ainda é necessário avançar bastante para que se consiga chegar à impressão de órgãos; pois, entre outros desafios, enfrenta o da criação da vascularização dentro do órgão impresso. Estudos na área ainda estão em fases experimentais.
Terapia genética
São técnicas, também em estudo, que buscam alterar genes como uma forma de modificar o sistema imunológico do paciente para que ele reconheça o órgão como próprio, prevenindo, assim, a rejeição de órgãos transplantados. Para que se torne realidade, no entanto, ainda há um longo caminho a ser percorrido.
Transplantes de fígado e tecido musculoesquelético
Em 2024, segundo a Secretaria Estadual da Saúde, foram realizados 1.634 transplantes de órgãos e 1.504 de tecidos no Rio Grande do Sul
O Rio Grande do Sul terminou 2024 celebrando um número de transplantes de órgãos 5,6% maior em relação ao ano anterior. Uma rede que passou a contar com transplante de fígado e de tecido musculoesquelético também no Hospital Moinhos de Vento.
Apenas quatro instituições hospitalares estão autorizadas, no RS, a realizar o transplante de fígado. Chefe do Serviço de Gastroenterologia do Hospital Moinhos de Vento, o gastroenterologista Fernando Wolff (Cremers 24476) destaca que membros da equipe clínica e cirúrgica têm extensa experiência em transplantes desse tipo.
“Nossos ambulatórios de Hepatologia e Doença Hepática Metabólica (EHM) já acompanhavam desde casos simples até doenças hepáticas mais complexas, como cirrose e câncer de fígado. Agora, mesmo pacientes que não respondem mais a tratamentos, temos a possibilidade de os ajudarmos com o transplante”, ressalta Wolff.
Desde setembro de 2024, três pacientes já receberam um novo fígado pelo Programa de Transplante do Hospital Moinhos de Vento.
FIQUE POR DENTRO
- Em 2024, foram realizados 1.634 transplantes de órgãos e 1.504 de tecidos no Rio Grande do Sul, sendo 134 de fígado.
- Até o final de 2023, 160 pessoas estavam à espera de um fígado no RS.
- A lista para transplantes é única e vale tanto para os pacientes do SUS quanto para os da rede privada.
INDICAÇÕES PARA TRANSPLANTE DE FÍGADO
- Cirrose avançada
- Falência hepática aguda
- Câncer de fígado, quando o tumor se origina no órgão
- Câncer com metástases no fígado quando a doença em todos outros órgãos está controlada
ETAPAS DO PROCESSO PRÉ-TRANSPLANTE
- Avaliação do paciente: exames e observações médicas que determinam a adequação para o procedimento.
- Busca por um doador: o paciente é colocado na fila de espera para aguardar um doador compatível.
- Testes de compatibilidade: são realizados testes para averiguar a compatibilidade entre o paciente e o doador.
*Sempre em avaliação com o médico referente ao caso.
Fonte: Associação Brasileira de Transplante de Órgãos
Mais mobilidade e qualidade de vida
Também em 2024, pacientes com grandes perdas ósseas, como as causadas pelo afrouxamento de prótese e por tumores ósseos ou por traumas de alta energia, passaram a contar com a possibilidade de fazer transplante de tecido musculoesquelético no Hospital Moinhos de Vento. Desde o credenciamento para esse tipo, já foram cinco transplantes realizados.
“No momento de uma troca de prótese, por exemplo, em razão de perda óssea, antes de ser colocada a nova, fazemos esse enxerto. É um tratamento diferenciado e com baixíssimo índice de rejeição, por ser uma solução biológica, o que agrega qualidade de vida ao paciente”, diz o cirurgião e chefe do Serviço de Ortopedia do Moinhos de Vento, Carlos Galia (Cremers 17597).
O especialista complementa que não é necessário um procedimento extra para o transplante. O enxerto é feito no momento da cirurgia de troca de prótese ou de reposição de osso, como no caso de fraturas graves.
Por serem poucos os locais do organismo em que se pode retirar o material do próprio paciente, os tecidos podem ser obtidos por meio do banco de tecidos do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO), do Ministério da Saúde. Além de tecido ósseo, podem ser transplantados também ligamentos, meniscos e tendões.
Fonte: Moinhos Medical Review

